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Quem sente mais, influencia mais
A venda não começa quando você fala. Ela começa quando o outro se sente bem com você.

Você já esteve numa reunião em que fez tudo certo… Seguiu o script, apresentou os dados, sorriu, concordou, argumentou, e mesmo assim, o cliente travou?
E aí vem aquele pensamento: “Não faz sentido ele não fechar.”
Mas faz. Porque você talvez tenha esquecido da única coisa que realmente muda a resposta emocional do outro:
Como ele se sente com você.
O que a maioria das pessoas não percebe
Um estudo publicado na Journal of Organizational Behavior (Yip & Martin, 2006) mapeou o impacto da inteligência emocional nos resultados de negociação. E a conclusão é simples, mas poderosa:
Inteligência emocional só gera influência quando é usada para criar um ambiente de segurança emocional. Esse ambiente tem nome: rapport.
Ou seja: não adianta saber o que o outro está sentindo, se você não sabe fazer ele se sentir bem com você.
O estudo mostrou que o rapport é o mediador entre inteligência emocional e performance. É ele quem ativa a confiança, o desejo de continuar a conversa, e o espaço emocional necessário para o sim acontecer.

Relação entre Inteligência Emocional, Rapport, Confiança e Desejo de trabalhar com você. Adaptado de Yip & Martin (2006). Repare: sem rapport, nada flui, nem confiança, nem desejo, nem resultado.
O Homo sapiens funciona assim
Você entra numa reunião, olha pra mesa do cliente e nota um livro do Yuval Harari. Você não leu o livro. Mas lembra que viu o nome no Instagram. E então manda o clássico:
“Ah, Harari. Sensacional. Li todos. Você curte também?”
O cliente levanta os olhos com certo ceticismo. Diz que tá começando ainda. Você emenda outra frase qualquer, mas sente que o clima não conectou.
Sabe o que aconteceu?
Você tentou gerar rapport com algo que não despertava interesse real em você. E o cliente percebeu.
Agora muda o cenário.
Você entra, nota uma tatuagem diferente no antebraço do cliente. Você não sabe o que significa, mas é curioso. E pergunta com presença real:
“Desculpa a pergunta, mas essa tatuagem tem algum significado especial? Achei diferente. Nunca vi algo parecido mas me remeteu à um local que conheci anos atrás....”
O cliente sorri. Conta a história. Você escuta de verdade. Faz uma pergunta espontânea. Ele responde com brilho nos olhos. Em minutos, o ambiente mudou.
A moral?
Conexão não nasce do que você fala. Nasce de onde você fala. Se vem de um lugar genuíno, o outro sente. Se não vem, ele sente também.
Teste na vida real
1️⃣ Nunca comece pelo que você quer falar.
Comece pelo que realmente te chama atenção. Pode ser a decoração da sala. Um objeto pessoal. Um detalhe no jeito da pessoa. Se for genuíno, funciona.
2️⃣ Valide antes de influenciar.
Reforce o que o outro sente ou acredita antes de propor qualquer ideia. “Faz sentido você estar com o pé atrás. Muita gente sente isso no começo.”
3️⃣ Lembre-se: seu primeiro objetivo é fazer o outro se sentir confortável com a sua presença.
Só depois você tenta convencê-lo de qualquer coisa.
No mundo dos negócios, confundimos “rapport” com “conexão”. Mas essa é uma confusão conceitual e perigosa.
Rapport não é uma palavra em inglês. Na verdade vem do francês, e significa “relação”. Não conexão. Conexão em francês é lien ou connexion.
Ou seja: rapport é só o primeiro estágio. É o clima emocional em que a conexão pode (ou não) nascer. E ela só nasce se houver presença, escuta e sintonia de verdade.
Quer influenciar de verdade?
Aprenda a transformar o desconforto do outro em alívio. E você nunca mais será só mais um tentando vender.
Conexão é quando o outro ainda não conhece você por inteiro, mas já se sente à vontade.
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