O maior erro de quem tenta ser mais persuasivo

Se você acha que um argumento forte convence alguém, você já começou errado. A única coisa que realmente importa é o que a pessoa já acredita.

Se você acha que precisa melhorar seu argumento para ser mais convincente, você já começou errado.

Quando pensamos em alguém persuasivo, a cena que imaginamos é quase sempre a mesma: uma pessoa argumentando com tanta clareza e inteligência que a outra simplesmente não consegue rebater. É natural, então, acreditarmos que o que fez a pessoa ser convencida foi a força do argumento – a escolha das palavras, a estrutura da fala, as pausas estratégicas, a linha de raciocínio impecável.

Mas, apesar disso parecer fazer sentido, essa lógica está completamente errada.

O que a maioria das pessoas não percebe

Não existe argumento forte ou argumento fraco. O que realmente existe é um argumento alinhado ou desalinhado com aquilo que a pessoa já acredita.

O livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie, tem uma frase que resume bem essa ideia: “Ninguém nunca ganhou uma discussão.”

Por quê?

Porque quando duas pessoas têm crenças completamente opostas, elas não vão mudar de ideia com base em argumentos racionais. A única maneira real de convencer alguém não é destruindo a opinião dela, mas encontrando uma interseção entre aquilo que você pensa e aquilo que ela já acredita.

Se uma pessoa 100% de direita e outra 100% de esquerda entram em uma discussão, é improvável que uma convença a outra a mudar de lado. Mas se ambas concordam que a prioridade de um país deve ser saúde e educação, é nesse ponto em comum que a conversa pode evoluir.

A sacada é simples: não tente mudar o que a pessoa acha que é certo ou errado. Em vez disso, justifique seu ponto a partir de algo que ela já aceita como verdade.

O Homo sapiens funciona assim

Imagine que você está com uma dor de cabeça insuportável e precisa encontrar um neurologista. Você tem duas opções:

1. Um médico formado em uma universidade federal, com um currículo impecável.

2. Um médico que tem um milhão de seguidores nas redes sociais e é referência online.

Qual deles você escolheria?

A resposta correta é: depende.

Se você acredita que a formação acadêmica é o principal indicativo de competência, você vai escolher o primeiro. Mas se você confia mais na validação social, vai optar pelo segundo.

Nenhuma das opções está “certa” ou “errada”. A escolha só reflete a crença preexistente da pessoa.

É exatamente assim que funciona qualquer processo de persuasão. Você não ganha uma discussão porque seu argumento é “melhor” – você ganha porque ele faz sentido dentro da realidade do outro.

Teste na vida real

Da próxima vez que estiver tentando convencer alguém de alguma coisa, antes de tentar “melhorar” seu argumento, faça mais perguntas.

Pergunte:

✔️ O que faria essa pessoa acreditar nisso?

✔️ Quais são as crenças dela sobre esse assunto?

✔️ Que evidências ela já aceitaria como válidas?

Ajuste seu argumento para se encaixar na visão de mundo dela – e pare de tentar enfiar goela abaixo a sua.

Isso é Neuroretórica. Isso é influência real.

Até a próxima terça, às 10h10.

A verdadeira persuasão não empurra, desperta.

Dr. Barreto

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