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Quando tem mais de um na mesa, pra quem você vende?
E como evitar perder a venda por conectar só com quem parecia decidir.

No fim da leitura, me dá uma nota? É a sua régua que calibra o meu corte.
A maioria das pessoas acha que o segredo pra convencer alguém está em mirar no decisor.
Foco no chefe.
Foco no marido.
Foco na pessoa que fala mais.
E isso até faz sentido – se você tiver 100% de certeza de que essa é a única pessoa que importa.
O problema é:
E se você estiver errado?
O que a maioria das pessoas não percebe
Quando você está numa reunião, numa venda, ou até num almoço de família com alguém do seu time, as pessoas estão o tempo todo percebendo onde está seu olhar.
E o olhar – ou, como chamam na ciência, o “gaze” – é mais poderoso do que parece.
👉 Ele transmite respeito.
👉 Ele sinaliza quem está dentro e quem está sendo ignorado.
👉 E, pior ainda: ele pode detonar sua reputação de forma silenciosa.
Um estudo (Who do I look at? Mutual gaze in triadic sales encounters, Aaron D. Arndt) com mais de 100 vendas simuladas mostrou que vendedores que focavam o olhar apenas em uma pessoa no início do encontro geravam menos confiança e menos conexão com o grupo como um todo .

JOINT (decisão conjunta) vs. F1 (decisão final concentrada em uma pessoa).Salesperson gaze: EQUAL (olhar distribuído), F1 (foco no decisor), F2 (foco no não-decisor). Em contextos onde há um decisor final claro, olhar igualmente para os dois ou focar no decisor não faz diferença significativa na confiança. Mas se você errar essa leitura e tratar o segundo como irrelevante — quando ele, na verdade, também influencia a decisão — essa pessoa se sente ignorada e a sua credibilidade vai embora.
Mesmo quando essa pessoa parecia ser o “decisor principal”.
Sabe por quê?
Porque isso soa como dominação pra quem tá de fora.
Como se o vendedor dissesse, com os olhos:
“Eu só estou olhando pra quem me interessa. O resto é ruído.”
E se tem uma coisa que mina qualquer relação de confiança…
É essa sensação de invisibilidade.
O Homo sapiens funciona assim
Você tá numa reunião de vendas com um casal.
Percebe que quem decide é a esposa — ela faz mais perguntas, toma iniciativa, tem firmeza no olhar.
Naturalmente, você foca nela. Faz sentido, né? Ela é quem tá conduzindo.
No final, ela diz:
“Tá bom. Vamos fechar.”
Mas antes de assinar, o marido interrompe:
“A gente pode conversar um pouco mais entre a gente?”
Na prática, ele não era o decisor final.
Mas também não queria se sentir fora da decisão.
A proposta era boa. A lógica tava certa. Mas o pertencimento falhou.
E onde o pertencimento falha, a confiança trava.
Por isso, o estudo mostra que distribuir o olhar desde o começo da conversa aumenta conexão com todos — mesmo com quem não parece influente.
Porque no fim das contas:
Você não perde a venda pela objeção. Você perde quando alguém se sente excluído demais pra apoiar.
Teste na vida real
Na sua próxima reunião com mais de uma pessoa, presta atenção nisso:
1️⃣ No início da conversa, distribua o olhar com intenção.
Se você só olhar pro decisor, pode parecer bajulação.
Se você só olhar pra quem fala, pode parecer preguiça emocional.
Mas se você olha pra todos, você transmite liderança e presença.
2️⃣ Não confunda quem fala com quem manda.
Falar mais não é sinônimo de ter mais poder.
Às vezes, o decisor é quem fala menos – e observa mais.
3️⃣ Evite o “gaze de dominação”
Quando você fala e encara direto por muito tempo, parece confronto.
Alterne o olhar entre quem está na mesa.
E principalmente: olhe mais enquanto ouve do que enquanto fala. Isso é sinal de respeito.
Até terça que vem, às 10h10.
Não é sobre quem você olha.
É sobre quem sente que foi visto.
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